A Foundation está fechando. Os tokens vão permanecer na blockchain para sempre, mas os arquivos que compõem cada obra (imagens, vídeos, metadados) vivem no IPFS, pinados nos nós da Foundation que em algum momento serão desligados. Quando isso acontecer, os links vão parar de resolver e as obras viram tokens visualmente órfãos, mesmo com todo o resto on-chain ainda intacto.
Este guia acompanha você para fazer o backup do seu corpus completo em um serviço de pinning independente e descentralizado, sem pagar um centavo. No final, seu trabalho estará protegido por uma infraestrutura que você controla, não por uma empresa que pode fechar amanhã.
Leva entre 30 minutos e 2 horas dependendo de quantas obras você tem. Cada minuto vale a pena.
O que você vai fazer exatamente
Entender o problema e a solução antes de começar vai evitar confusão depois.
O problema
Quando você mintou uma obra na Foundation, o smart contract salvou uma referência no Ethereum (um CID, Content Identifier) que aponta para seu arquivo JSON de metadados no IPFS. Esse JSON contém o título, a descrição, e por sua vez aponta com outro CID para o arquivo real da imagem ou vídeo.
O token é permanente. Mas os arquivos CID só existem enquanto algum nó IPFS os mantém pinados. A Foundation os tinha pinados em seus próprios nós. Quando esses nós forem desligados, se ninguém mais estiver pinando esses arquivos, eles vão desaparecer da rede.
A solução
Você vai pinar os mesmos CIDs no seu próprio nó (na prática, num serviço gratuito que age como seu nó). Não é copiar os arquivos para outro lugar, é reforçar a existência deles dentro da mesma rede IPFS. O CID continua o mesmo, a obra continua a mesma, mas agora tem redundância: vive nos nós da Foundation e nos seus.
Quando a Foundation desligar os nós dela, os seus continuam ativos. Os links IPFS continuam funcionando. Seu trabalho sobrevive ao fechamento do marketplace.
O token Ethereum (sua propriedade, seu histórico, suas vendas) nunca está em risco. O que está em risco é a camada visual e descritiva. Isso salva essa camada.
Por que Filebase e não Pinata
O Pinata foi pioneiro, mas o plano gratuito dele não funciona mais para esse caso específico. Filebase é a alternativa honesta.
O Pinata cobra exatamente pela função que a gente precisa (Import from IPFS, pinar CIDs existentes). No plano gratuito você só pode fazer upload de arquivos novos do seu computador, não pinar CIDs que já existem na rede.
O Filebase oferece 5 GB de armazenamento, até 1.000 arquivos, um gateway dedicado, e a função Import CID, tudo incluído no plano gratuito sem cartão de crédito. É cinco vezes mais espaço que o Pinata, e a função chave sem restrição.
O Filebase também usa redundância 3x em localizações geograficamente distintas, o que é redundância de verdade, não conversa de marketing.
O Pinata não é um serviço ruim. É que seu caso de uso (pinar obras já mintadas) é exatamente o que o modelo de negócio atual deles empurra para os planos pagos. O Filebase trata esse caso como uso gratuito legítimo.
Crie sua conta gratuita no Filebase
Cinco minutos, sem cartão de crédito.
- Vá em filebase.com e clique em Get Started Free ou Sign Up.
- Digite seu email e crie uma senha forte. Nenhum cartão, nenhuma informação de cobrança.
- Confirme seu email pelo link que eles enviam.
- Entre no painel com seu nome de usuário e senha.
Você vai ver seu workspace vazio. A interface é limpa, só em inglês, mas o fluxo é simples.
Crie seu bucket de arquivo
Um bucket é como uma pasta onde os seus pins vão morar.
- No painel, clique em Buckets no menu lateral.
- Clique em Create Bucket.
- Dê um nome único, por exemplo
seu-nome-nft-archive. Os nomes de buckets são globais, então se o seu já estiver em uso vai precisar escolher outro. - Em Network, selecione IPFS. Não escolha Sia ou outras redes, você precisa de IPFS para seus NFTs da Foundation.
- Confirme com Create.
O Filebase vai mostrar um aviso dizendo que buckets públicos exigem plano pago. Ignore, deixe em S3 Private. Esse aviso se refere ao acesso S3 (protocolo da Amazon), que não é usado pelos NFTs. Seus arquivos vão continuar acessíveis publicamente via CID em qualquer gateway IPFS: ipfs.io, dweb.link, cloudflare-ipfs.com. A configuração privada do bucket não limita isso.
Obtenha os CIDs de cada obra
Cada obra tem dois CIDs para identificar: um do JSON de metadados, outro do arquivo de imagem ou vídeo.
Método 1: Da Foundation (enquanto ainda está ativa)
- Vá no seu perfil da Foundation e abra uma das suas obras.
- Na aba Details ou Token Details você vai encontrar um link IPFS ou Metadata.
- Tem o formato
https://ipfs.io/ipfs/QmXX.../metadata.json. Salve. - O CID dos metadados é a parte entre
/ipfs/e/metadata.json:QmXX...
Método 2: Abrir o JSON e pegar o CID do arquivo de mídia
Abra o JSON no seu navegador. Você vai ver algo assim:
{
"name": "Sua obra",
"description": "...",
"image": "ipfs://QmYY.../nft.mp4"
}
O valor do campo image (ou às vezes animation_url) começa com ipfs:// seguido de outro CID. Esse é o CID da mídia. Salve também.
Monte uma planilha simples de inventário
Para cada obra, anote:
- Título da obra
- CID do JSON metadados
- CID do arquivo de mídia (vídeo ou imagem)
- Endereço do contrato e TokenID (para buscar depois no Etherscan)
Uma planilha simples basta. Faça enquanto a Foundation ainda está acessível. Se esperar, extrair os dados pode ficar muito mais difícil depois.
Se você tem um inventário fácil de copiar no seu perfil da Foundation, pegue em bloco. Também pode buscar seus tokens direto no Etherscan procurando pela sua wallet e filtrando por NFT.
Pine seus CIDs no Filebase
É aqui que a mágica acontece. O Filebase encontra seus arquivos na rede IPFS e copia nos próprios nós.
Processo para cada obra
- Abra o bucket que você criou clicando no nome dele.
- Você vai ver três opções: Import CID, New Folder, Upload. Clique em Import CID.
- Abre um formulário. Cole o CID do JSON metadados da primeira obra.
- Dê um nome descritivo, por exemplo
minha-obra-metadata.json. - Confirme com Search and Pin.
O Filebase vai buscar o CID na rede IPFS (leva alguns segundos) e pinar nos próprios nós. O status vai passar de Pinning (em andamento, ícone laranja) para Pinned (confirmado, ícone verde).
Repita para o CID do arquivo de mídia:
- Import CID de novo.
- Cole o CID do vídeo ou da imagem.
- Nome:
minha-obra-media.mp4(ou a extensão correta). - Confirme.
Convenção de nomenclatura recomendada
Use nomes consistentes para o bucket ficar fácil de consultar depois. Sugestão:
- Obras solo:
titulo-obra-metadata.jsonetitulo-obra-media.mp4 - Colaborações:
split-sobrenome-colaborador-titulo-metadata.json - Séries numeradas:
serie-01-titulo-metadata.json,serie-02-...(use zeros à esquerda se tiver mais de 9)
Nomes em minúsculas, com hífens no lugar de espaços, sem acentos ou caracteres especiais. Isso evita problemas com URLs e sistemas de arquivos.
Tempo estimado
Cada pin leva de alguns segundos (para os JSONs pequenos) a uns dois minutos (para vídeos pesados). Para um corpus de 10-15 obras, prepare-se para 40 minutos a 1 hora de trabalho manual.
Se você pina um CID que o Filebase já tinha pinado em outro lugar (porque outro artista pinou o mesmo arquivo), ele é pinado quase instantaneamente. O IPFS não duplica arquivos, reforça a presença deles.
Verifique que está tudo certo
Antes de considerar o backup feito, verifique que os arquivos realmente estão acessíveis pela rede pública.
Verificação 1: Todos marcados como Pinned
Olhe a coluna Status no seu bucket. Todos os arquivos devem ter o ícone verde e a etiqueta Pinned. Se algum continuar em Pinning (laranja) depois de vários minutos, espere mais ou atualize a página.
Verificação 2: Acessível de um gateway público
Copie um dos seus CIDs e cole nesta URL, substituindo [CID]:
https://dweb.link/ipfs/[CID]
Se você vê o conteúdo (o JSON ou o vídeo), seu pin está vivo na rede descentralizada, acessível por qualquer gateway, sem depender da Foundation nem do Filebase.
Verificação 3: Uso de armazenamento razoável
Olhe o indicador Storage do seu bucket. Um vídeo NFT típico pesa entre 10 e 80 MB. Se você tem 15 obras com vídeo, vai estar na casa de 500-800 MB. Bem longe do limite de 5 GB do plano gratuito.
Se estiver perto do limite (porque tem mais obras ou vídeos muito pesados), considere pinar só os metadados das obras menos críticas e deixar os vídeos delas sem backup adicional (eles vão continuar vivendo em outros nós IPFS públicos por um tempo).
Atualize os links do seu site
Se você tem site pessoal ou portfólio que linka seus NFTs, esses links precisam mudar. Os que apontam para a Foundation vão morrer.
O que substituir
Procure no seu site links assim:
https://foundation.app/mint/eth/0x...../tokenID
https://fnd-collections.mypinata.cloud/ipfs/QmXX.../metadata.json
https://fnd-collections4.mypinata.cloud/ipfs/...
Todos esses vão parar de funcionar. Devem ser substituídos por links estáveis de gateways IPFS.
Quais links usar
Recomendo três tipos de links por obra:
1. Metadados (ficha técnica da obra):
https://dweb.link/ipfs/[CID_METADATA]/metadata.json
2. Mídia (o vídeo ou a imagem):
https://dweb.link/ipfs/[CID_MEDIA]/nft.mp4
3. Etherscan (verificação de propriedade on-chain):
https://etherscan.io/token/[CONTRATO]?a=[TOKEN_ID]
Este terceiro link substitui o link da Foundation. Onde antes você apontava para o marketplace, agora aponta para o registro público do Ethereum, que nunca fecha.
Uso dweb.link porque é gerenciado pela Protocol Labs (fundação, não empresa com fins lucrativos), relativamente rápido e neutro. Alternativas válidas: ipfs.io (mesmo provedor, às vezes mais lento), cloudflare-ipfs.com (rápido mas depende de empresa centralizada). Qualquer um funciona; o que importa é o CID.
Se suas obras estão no Arweave (não precisa fazer backup)
Algumas obras da Foundation usam Arweave em vez de IPFS. Elas têm permanência integrada.
Se quando você abre os metadados da sua obra vê URLs terminando em arweave.net ou começando com um hash seguido de .arweave.net, sua obra vive no Arweave, não no IPFS.
O Arweave é uma rede de armazenamento descentralizada diferente, com um modelo filosoficamente diferente: você paga uma única vez no mint, e o armazenamento é garantido por duzentos anos através de um fundo de endowment que continua pagando os nós indefinidamente.
Conclusão prática: se alguma das suas obras está no Arweave, não precisa salvar. A permanência dela é estrutural. Só anote no seu inventário e vá para as outras.
Antes da Foundation fechar de vez
Ações finais antes do apagão.
Tirar da listagem obras não vendidas
Se você tem obras listadas à venda na Foundation que ainda não têm comprador, considere tirar da listagem antes do fechamento. Isso libera o token do contrato de escrow da Foundation e devolve para sua wallet (ou para a do minter). Custa um pouco de gas, mas economiza complicações depois.
Documentar colaboradores
Se você tem obras com split on-chain, lembre seus colaboradores de fazer esse backup também do lado deles. O split continua ativo enquanto o contrato existir, mas os arquivos precisam de mais nós sustentando para sobreviverem.
Exportar informação curatorial
A Foundation guarda informações que não vivem on-chain: histórico de vendas com nomes de colecionadores, descrições editoriais, datas exatas dos leilões, lances, seguidores. Tudo isso desaparece com a Foundation. Tire prints ou exporte o que puder antes do fechamento.
Conte sua história
Se você está no espaço da cripto arte há anos, é testemunha de um capítulo da história cultural que poucos viveram por dentro. Coloque no papel o que você lembra. Fotos de eventos, nomes da comunidade, plataformas que caíram, bans que artistas de países com embargo sofreram. Esse arquivo narrativo vale tanto quanto os CIDs.
Depois de pinar cada obra, verificar o acesso público e atualizar os links do seu site, seu corpus sobrevive ao fechamento da Foundation. A obra permanece. A história continua.
E se o Filebase fechar um dia, o que acontece?
Pergunta legítima. Se você está fazendo backup para não depender da Foundation, não está só movendo a dependência para outra empresa? Vale responder com honestidade.
A resposta curta
Se o Filebase fechasse amanhã, seus arquivos não desaparecem instantaneamente. O IPFS funciona por acumulação de nós que replicam o mesmo conteúdo, não por um único ponto de falha. Fechar o Filebase tira só uma das cópias do seu arquivo, não todas.
Além disso, os CIDs são universais. Não pertencem ao Filebase. Se amanhã você abre uma conta com outro provedor e cola os mesmos CIDs, em poucos minutos tem backup ativo de novo. Seu inventário (a planilha do Passo 05) é tudo que você precisa para migrar.
Como funciona a persistência no IPFS na prática
Um arquivo no IPFS existe enquanto pelo menos um nó o mantém ativamente pinado. Quando o Filebase pina seus CIDs, os nós dele (tipicamente replicados 3x em localizações distintas) mantêm o arquivo vivo.
Mas o Filebase não é o único com seus arquivos. Toda vez que alguém visita um gateway IPFS e carrega sua obra, esse gateway faz cache temporário. Cada interação deixa cópias efêmeras. A Foundation ainda tem seus CIDs pinados até o fechamento. A rede tem uma certa inércia de replicação natural.
Três cenários possíveis se o Filebase fechasse
Cenário 1, fechamento com aviso prévio (o esperado): serviços sérios avisam com semanas ou meses de antecedência. Você teria tempo de sobra para migrar para outro provedor: 4EVERLAND, Web3.Storage, Lighthouse. Como já tem o inventário dos CIDs, a migração é trivial: abre conta, importa os mesmos CIDs, continua.
Cenário 2, fechamento repentino sem aviso: improvável mas possível. Seus arquivos só se perdem se simultaneamente nenhum outro nó os tiver. Para arquivos com qualquer atividade, é estatisticamente raro.
Cenário 3, aquisição por outra empresa (o mais comum): uma empresa maior compra a menor e mantém o serviço com novos termos. Seus pins continuam ativos durante a transição. Exemplo recente do ecossistema: a KnownOrigin foi comprada pela eBay, com consequências sérias, mas os arquivos mintados antes continuaram acessíveis.
A estratégia robusta: redundância multi-provedor
A resposta filosoficamente correta não é só confiar que o Filebase não vai fechar, e sim não depender exclusivamente do Filebase. A descentralização real exige redundância real. Quatro níveis de proteção, implementáveis aos poucos:
Nível 1, o que você já tem: pins ativos no Filebase. 5 GB grátis. Cobre o caso padrão.
Nível 2, redundância paralela: abrir uma segunda conta gratuita com outro provedor e replicar os mesmos pins. Opções sólidas:
- 4EVERLAND: 5 GB grátis, interface limpa, provedor diferente.
- Web3.Storage: da Protocol Labs (os criadores do IPFS). 5 GB grátis, institucionalmente muito estável.
- Lighthouse: modelo de pagamento único para armazenamento perpétuo, usa Filecoin como camada econômica.
Com os mesmos CIDs pinados em dois provedores distintos, o fechamento de um não afeta o outro. É exatamente isso que a descentralização permite: não ficar preso a nenhum provedor em particular.
Nível 3, cópia física local: baixar todos os arquivos de mídia no seu HD ou num disco externo, organizados por pasta. Não serve para dar links públicos, mas garante que se todos os nós do mundo falharem, você ainda tem os masters. É o backup de última instância que os arquivistas sérios fazem.
Nível 4, opcional e avançado: rodar seu próprio nó IPFS com IPFS Desktop ou IPFS CLI em uma das suas máquinas. Máxima autonomia técnica. Seu nó só está ativo quando seu computador está ligado, então complementa mas não substitui os serviços gerenciados.
Recomendação pragmática
Por enquanto, fique só no Filebase (Nível 1). É suficiente para o risco real a curto prazo. O Filebase está ativo desde 2019 e parece institucionalmente mais estável que outros nesse momento.
Entre 3 e 6 meses, se quiser reforçar, abra uma conta no 4EVERLAND ou Web3.Storage e replique os pins. 15 minutos de trabalho, porque você já tem o inventário com todos os CIDs. Isso dá redundância real sem engenharia excessiva.
A cópia local no HD você pode fazer quando tiver tempo, não tem pressa mas vale a pena. Nó IPFS próprio só se você curte administrar infraestrutura.
Existe uma diferença crítica entre centralização e dependência. O Filebase é um provedor centralizado (empresa privada, servidores próprios), mas seu uso do Filebase é desacoplável: os CIDs são padrão IPFS, seu inventário vive no seu disco, e você pode se mover para outro provedor a qualquer momento. Muito diferente de como você dependia da Foundation, onde se a Foundation fechasse, você perdia os links, a narrativa, o perfil e a comunidade. Dessa vez, qualquer fechamento seria chato mas não catastrófico. É progresso real.
Perguntas frequentes
Respostas curtas e diretas ao que os artistas estão se perguntando agora sobre o fechamento da Foundation e a preservação dos NFTs.
O que acontece com meus NFTs quando a Foundation fecha?
Os tokens permanecem no Ethereum para sempre, intactos. O que está em risco é a camada off-chain: os metadados JSON e os arquivos de mídia (imagens, vídeos) que atualmente vivem nos nós IPFS da Foundation. Quando esses nós forem desligados, os arquivos podem ficar inacessíveis a menos que você os pine em outro serviço. Sua propriedade está segura; a representação visual precisa de backup.
Preciso mover meus NFTs para outra blockchain?
Não. Os NFTs permanecem no Ethereum independentemente do destino da Foundation. A Foundation é uma interface de marketplace; o Ethereum é a blockchain subjacente. Você só precisa salvar os arquivos off-chain, não mover os tokens.
O Filebase é realmente gratuito para backup de NFT?
Sim. 5 GB de armazenamento, até 1.000 arquivos pinados, gateway IPFS dedicado, e a função Import CID, tudo grátis sem cartão de crédito. É a combinação de funções que o Pinata moveu para os planos pagos.
O que é um CID IPFS e por que importa?
Um CID (Content Identifier) é um hash criptográfico que identifica um arquivo no IPFS baseado no conteúdo. O smart contract do seu NFT guarda uma referência a um CID que aponta para os metadados, que por sua vez apontam para o CID da mídia. Os CIDs resolvem para conteúdo apenas enquanto os nós têm os arquivos pinados. Sem pin, sem conteúdo, independentemente da existência do token.
E se o Filebase também fechar?
Tratado em detalhe no Passo 11. Versão curta: os CIDs são universais, então você pode migrar para outro provedor IPFS (4EVERLAND, Web3.Storage, Lighthouse) em minutos usando seu inventário. Para robustez, use redundância multi-provedor.
Devo tirar NFTs não vendidos da listagem antes do fechamento da Foundation?
Recomendado. Tirar da listagem libera o token do contrato de escrow da Foundation e retorna para a wallet do minter, deixando o token livre para ser relistado em outro lugar no futuro. Custa um pouco de gas, mas previne complicações.
Quanto tempo leva o processo completo de backup?
Para 10-15 NFTs, prepare-se para 30 minutos a 2 horas. Os metadados JSON pinam em segundos; os arquivos de vídeo podem levar uns dois minutos cada. O processo é repetitivo mas não complexo uma vez que o inventário de CIDs está pronto.
E se meus NFTs estão no Arweave, não no IPFS?
Não precisa fazer backup. O Arweave oferece armazenamento permanente por design: pago uma única vez no mint, preservado por cerca de 200 anos através de um endowment econômico que paga os nós indefinidamente.
Este guia funciona para artistas fora da Foundation?
Sim. O mesmo processo se aplica a qualquer NFT no Ethereum cujos metadados e mídia vivam no IPFS. SuperRare, Zora, Objkt, KnownOrigin (antes do fechamento), Rarible: o fluxo é idêntico. Muda só a fonte dos CIDs.
Posso pinar NFTs de outros artistas como colecionador?
Sim, e é incentivado. Os CIDs são públicos por design. Pinar os NFTs que você coleciona protege sua coleção de falhas dos nós originais. Considere avisar o artista por cortesia, especialmente se tem contato direto.
Como rodar seu próprio nó IPFS
Esta seção é para artistas com alguma familiaridade técnica que querem o próximo nível de autonomia. Não é necessário para fazer backup das suas obras (o Filebase basta), mas se a ideia de não depender de nenhum provedor te atrai, aqui está o caminho.
O que significa ter seu próprio nó
Um nó IPFS é um computador que participa da rede como mais um membro do enxame. Quando você instala o software, sua máquina pode pinar arquivos, servi-los ao mundo, e mantê-los vivos sem depender de nenhum serviço comercial. Você passa de cliente de um provedor a participante pleno da rede. O equivalente digital de ter sua própria gráfica em vez de depender de uma editora.
Diferença chave em relação ao Filebase: com o Filebase você pede a uma empresa para pinar seus arquivos nos servidores dela. Com seu próprio nó, o servidor é você.
Seu nó só serve arquivos enquanto seu computador está ligado e conectado à internet. Se você desliga a máquina, seus arquivos continuam existindo em outros nós da rede (Filebase, gateways públicos, outros serviços de pinning), mas você deixa de contribuir. Para backup realmente permanente, seu nó precisa estar ativo quase sempre.
Dois caminhos reais, conforme o quanto de controle você quer
Caminho A: IPFS Desktop (o mais acessível)
Aplicativo gráfico que você instala como qualquer outro programa no macOS, Windows ou Linux. Setup em 5 minutos, interface visual, sem linha de comando. Ideal para experimentar e aprender.
A favor: instalação simples, interface visual, pode fechar o app quando não usa.
Contra: consome RAM enquanto roda (200-400 MB), depende de não fechar acidentalmente o app, e quando você desliga o computador perde disponibilidade.
Caminho B: Raspberry Pi dedicado (o sério)
Você compra um Raspberry Pi (cerca de 75-120 USD com case, fonte e cartão SD), instala IPFS nele, e deixa ligado 24/7 na sua casa conectado ao roteador. Nó permanente dedicado com consumo elétrico de uma lâmpada LED (5-10 watts, cerca de 2-3 USD por mês).
A favor: nó permanente de verdade, não ocupa recursos do seu computador principal, autonomia técnica total.
Contra: exige compra inicial, instalação técnica mais complexa (linha de comando), configuração do roteador para acessibilidade externa.
Comece com IPFS Desktop. Aprenda o conceito sem compromisso econômico. Se depois de algumas semanas sentir que usa de verdade e quer permanência real, aí avalia investir num Raspberry Pi dedicado.
Passo a passo com IPFS Desktop
Passo 1: Baixar o instalador
Vá em ipfs.tech/install/ipfs-desktop/ (domínio oficial do projeto). Escolha o instalador do seu sistema operacional: macOS, Windows ou Linux.
Passo 2: Instalar
No macOS você abre o .dmg e arrasta o ícone para Aplicativos. No Windows executa o .exe. No Linux geralmente é um .AppImage. No macOS a primeira vez o sistema pode avisar sobre desenvolvedor não verificado: vai em Preferências do Sistema, Segurança, e libera manualmente. Normal, não implica que o software seja inseguro.
Passo 3: Primeira execução
Quando você abre o aplicativo pela primeira vez ele faz três coisas automaticamente. Primeiro, cria uma identidade criptográfica única para seu nó (como um RG permanente do seu nó na rede). Segundo, se conecta à rede IPFS global e em poucos segundos você vai ver dezenas ou centenas de peers conectados (outros nós). Terceiro, abre uma interface com cinco abas: Status, Files, Explore, Peers, Settings.
Passo 4: Pinar seu primeiro CID
Vá na aba Files. No topo tem um botão Import. Quando você clica, aparece um menu com opções. Escolha From IPFS (às vezes mostrado como Add by CID ou Import from IPFS). Cole um dos seus CIDs e confirme.
Seu nó vai começar a baixar o arquivo de outros nós que o têm (Filebase, gateways públicos, qualquer fonte ativa). Em segundos ou minutos (dependendo do tamanho) o arquivo fica pinado localmente. Nesse momento seu computador é uma das abelhas que sustentam aquele CID.
Passo 5: Verificar que funciona
Duas verificações simples. Uma, em Files você deve ver o CID com ícone de pin e o tamanho baixado. Duas, abra no seu navegador:
http://localhost:8080/ipfs/[seu-CID]
Esse localhost:8080 é o gateway local que seu próprio nó levanta. Se vê o conteúdo, seu nó está servindo ativamente o arquivo. Isso é autonomia técnica de verdade.
Passo 6: Pinar o resto do seu corpus
Repita o processo com todos os CIDs do seu inventário. Para um corpus de 10-15 obras, prepare-se para 30 minutos a 2 horas dependendo da sua conexão.
Considerações práticas do uso diário
Consumo de recursos: IPFS Desktop usa entre 200 e 400 MB de RAM quando ativo. Em computadores modernos não é problema, mas é perceptível em máquinas com pouca memória. Pode configurar limites em Settings.
Banda: seu nó não só baixa, também faz upload para outros nós que pedem arquivos. Se tem conexão limitada, configure limites em Settings. Com conexão doméstica normal nem se nota.
Desligar o computador: seus CIDs continuam vivos na rede enquanto outros nós os têm pinados (Filebase continua de backup). Seu nó simplesmente para de contribuir temporariamente. Quando você liga de novo, retoma automaticamente.
Espaço em disco: cada CID pinado ocupa seu tamanho no seu disco local. Calcule: para 500 MB de corpus Foundation, seu nó ocupa 500 MB. Para corpus Tezos grandes pode ser vários GB. Verifique que seu disco tem espaço.
O que isso te dá concretamente
- Independência real do Filebase: se fechasse amanhã com seu nó ativo, seus arquivos continuariam acessíveis sem intervenção sua.
- Publicação sem intermediários: se você cria uma obra nova e quer pinar no IPFS sem passar por nenhum serviço, faz direto do seu nó.
- Compreensão técnica do sistema: rodar um nó, mesmo por poucas semanas, te dá uma compreensão do ecossistema que a maioria dos artistas NFT nunca adquire.
- Contribuição ao ecossistema: cada nó a mais fortalece a rede IPFS inteira. Sua participação não é só autodefesa, é ato comunitário.
A evolução natural rumo ao Raspberry Pi
Se depois de experimentar com IPFS Desktop você sentir que quer permanência real, o caminho natural é:
- Comprar um Raspberry Pi 4 (4 ou 8 GB de RAM) com fonte, case e cartão microSD de 128 GB. Total aproximado 100-150 USD.
- Conectar ao seu roteador via cabo ethernet num canto da casa.
- Instalar IPFS seguindo tutoriais específicos para Raspberry Pi (abundam em inglês, alguns em português).
- Configurar reinicialização automática em caso de queda de energia para manter o nó sempre ativo.
- Opcional avançado: configurar um subdomínio seu (por exemplo
ipfs.seuartista.art) apontando para seu Raspberry para ter seu próprio gateway.
Esse último passo, gateway próprio com domínio próprio, é soberania máxima. Você não depende mais nem de dweb.link nem de ipfs.io. Os links do seu site vão ser seus: ipfs.seuartista.art/ipfs/[CID]/file.mp4.
Ter nó próprio não substitui o Filebase nem torna obsoleto o trabalho que você já fez. Complementa. A estratégia ideal combina: Filebase como backup gerenciado sempre ativo, mais IPFS Desktop ou Raspberry Pi como seu nó próprio reforçando a partir da sua infraestrutura, mais cópia local em HD como arquivo de última instância. Três camadas redundantes, cada uma protegida por design diferente.
Precisa de ajuda?
Se tem dúvidas específicas, me escrever direto é o caminho mais rápido. Somos vários na comunidade fazendo esse mesmo trabalho nessas semanas, e quanto antes você faz o backup, melhor.